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Descubra o que se come e quais são os significados do Pessach

Entre os dias 12 e 20 de abril de 2025, famílias judaicas ao redor do mundo se reunirão para celebrar o Pessach, a festa que relembra a libertação do povo judeu após 400 anos de escravidão no Egito.

Muito além de dias e jantares festivos, o Pessach é uma experiência sensorial e espiritual, em que cada alimento servido à mesa carrega significados profundos.

Apesar de muitas vezes  ser chamada de “Páscoa judaica”, a associação com a celebração cristã não é apropriada.

“As festas judaicas não têm nada a ver com as não judaicas, então, muitas pessoas confundem, mas não é correto associar uma a outra.

A palavra “Pessach” significa “passagem” e faz referência ao momento em que Deus poupou os lares judaicos durante a última praga enviada ao Egito – a morte dos primogênitos. A partir dali, iniciou-se a jornada rumo à liberdade.


Rabino Pessah Kauffman

Segundo o empresário Fernando Mota, da terceira geração da família dona da Casa Zilanna, especializada na gastronomia judaica desde 1972, o “Pessach” representa um momento de profunda conexão com a história e os valores de liberdade, renovação e gratidão.

“É uma celebração que une famílias ao redor da mesa, compartilhando histórias e tradições que atravessam séculos. Minhas lembranças mais marcantes envolvem os encontros familiares, os aromas dos pratos típicos e a emoção de reviver os rituais da noite do Seder. É uma data que reforça a importância da tradição e da transmissão cultural, enfatiza.

O Seder: rituais, histórias e muita simbologia

A celebração judaica se inicia com o Seder, jantar ritual composto por quinze etapas que misturam leitura, oração, canto e muitos elementos simbólicos. “É uma noite para recontar a história da saída do Egito e transmitir a tradição às novas gerações”, explica o rabino.

Durante o Seder, cada pessoa deve se sentir como se estivesse saindo do Egito. As crianças fazem perguntas — conhecidas como as “Quatro Perguntas” — e os adultos respondem com a narrativa da libertação. A travessa central do ritual, chamada keará, reúne alimentos emblemáticos que ajudam a contar essa história.


Keara - Jeniffer Marques JPG
Keará da AK Deli está disponível para encomenda; cerâmica foi feita em parceria com o Atelier Muriqui • Jeniffer Marques

Quais são os alimentos da keará e seus significados na celebração do Pessah?

  • Matzá (pão ázimo)
    Representa a pressa com que os judeus deixaram o Egito, sem tempo para o pão fermentar.
    Simboliza pressa e humildade.
  • Maror (ervas amargas)
    Simboliza a amargura da escravidão no Egito. Pode ser raiz-forte ou alface romana.
    Representa sofrimento e resistência.
  • Charosset
    Mistura doce de maçãs, nozes, vinho e canela, que lembra a argamassa usada pelos escravos.
    Traz à tona o trabalho forçado com doçura e resiliência.
  • Zeroá (osso de cordeiro)
    Representa o sacrifício de Pessach realizado no Templo de Jerusalém.
    Memória do ritual e da fé ancestral.
  • Beitzá (ovo cozido ou marmorizado)
    Representa o luto pela destruição do Templo e da resiliência do povo judeu.
    Simboliza ciclos, renascimento e perdas.
  • Karpás (vegetal como salsão ou batata)
    Mergulhado em água salgada, representa as lágrimas derramadas pelos escravos e a esperança de liberdade.
    Conecta dor e esperança.

Comida com propósito

Na mesa de Pessach, nada é servido por acaso. A chef Andrea Kaufmann, à frente da AK Deli, conta que cada detalhe é carregado de sentido.

“Até a forma como a gente se senta à mesa importa – todos têm de estar em cadeiras bem confortáveis e almofadas, bem encostados. A quantidade de vinho que se toma e o momento em que se toma também têm um significado”, explica.

A chef conta também que na mesa da celebração nunca tem pão, mas sempre tem o Matzá, que é como se fosse uma bolacha feita com uma farinha específica que representa o pão que o povo judeu não conseguiu assar na noite em que deixaram de ser escravos.


Bolas de Matzá - Jeniffer Marques (1)
Bolas de Matzá, feita com farinha especial é tradicional no Pessach. Elas estão à disposição para encomendas no menu da AK Deli • Jeniffer Marques

“Nesta noite, o pão foi colocado nas costas e eles saíram correndo. Durante toda a semana não comemos nada de farinha e fermento. Muito importante ainda na mesa de Pessach é o prato principal, o cordeiro, que representa o cordeiro que foi assado na noite em questão”, reforça.

Na AK Deli, a chef oferece um menu especial que respeita as tradições e traz releituras modernas: caldo de frango com kneidlach (bolinhas de matsá), gefilte fish, língua escabeche, nhoque de matsá, cordeiro com molho rôti e até cheesecake de Pessach, feito com farinha de matsá. Já na Casa Zilanna, é possível encontrar clássicos como brisket, sopa de kneidlach e charosset tradicional.

Os pratos tradicionais de um jantar de Pessach:

  • Gefilte fish: bolinhos de peixe cozidos, típicos do leste europeu;
  • Sopa de kneidlach: caldo de frango com bolinhas de matsá;
  • Brisket: peito bovino assado lentamente;
  • Cordeiro assado: evocação do sacrifício da noite do Êxodo.

Confira 3 lugares onde encomendar pratos típicos de Pessach em São Paulo:


Gefilte fish
Super tradicional da culinária judaica, Gefilte fish é um bolinho de peixe que também está à disposição para encomendas na AK Deli • Divulgação

Inspirada nas delicatessens de Nova York, a AK Deli, aberta em 2023, é o terceiro empreendimento gastronômico da chef Andrea Kaufmann. A casa está localizada em Pinheiros e tem o propósito de unir praticidade, nutrição e aconchego por meio de uma cozinha que segue duas grandes referências culturais – a judaica e a mediterrânea.

Além da base de comidas curadas, fermentadas e preservadas, como os legumes em picles e o lox (carro-chefe da casa e marca registrada da chef), há entradas, pratos principais, acompanhamentos, sanduíches, wraps, saladas, pães, molhos e sobremesas, além de um menu recém-lançado de café da manhã.

Com serviço de rotisseria, a AK funciona como solução prática para entrega ou retirada de receitas que viajam bem, algumas já totalmente prontas, outras para só finalizar e servir

Para o Pessach, já é tradição a AK oferecer um menu completo para a ocasião, com receitas tradicionais em uma roupagem mais moderna que podem ser encomendadas até 8 de abril. Caldo dourado com kneidlach; pastinhas diversas; gefilte fish, tartare de salmão; pastrami e língua escabeche são algumas sugestões do cardápio. Lá também o cliente poderá encomendar o keará completo, que virá em uma cerâmica especial.

AK Deli: Rua dos Macunis, 440, Pinheiros/Tel.: (11) 91923-4685/Horário de funcionamento: de terça a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, das 8h às 16h.

Casa Zilana

A Casa Zilanna foi fundada em 1972 pelo casal Anna e Antonio, que dedicaram 11 anos de sua vida como feirante antes de abrir o estabelecimento. Localizada no bairro de Higienópolis, ela é uma tradicional loja de comida judaica, oferecendo produtos tipicos como varenikes, burekas, sambusaks, beigales, gefilte fish, kneidales, bolos, tortas, massas e congelados feitos na própria loja, além de produtos importados.

Em todas as datas comemorativas, o local prepara um cardápio especial para encomendas. Para o Pessach 2025, os clientes terão sugestões de antepastos, entradas, peixes e carnes à disposição. O menu inclui também sugestões de quiches, tortas e panquecas – todas feitas com fécula de batata, respeitando seguindo e respeitando a tradição de não usar farinha e fermento nesta época. Mais informações podem ser encontradas no Instagram do local.

Casa Zilanna: Rua Itambé, 506, São Paulo/Tel.: (11) 9 7622-2768 (telefone para pedidos)/Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h30 às 19h; aos sábados das 8h30 às 15h.

Casa Santa Luzia


Varenikes de matzá com cebola dourada - Foto Iara Venanzi (1)
Varenikes matzá com cebolas douradas é uma das opções entre os 85 pratos da Casa Santa Luzia para o Pessach • Iara Venanzi

Com quase 20 anos de tradição na oferta de itens para o Pessach, a Casa Santa Luzia preparou um menu variado e completo com mais de 85 opções para celebração.

Os pratos foram criados em parceria com os chefs consultores da Casa e atendem a celebração como um todo, considerando os 8 dias de festa, além dos dois jantares especiais do Seder.

As novidades do cardápio passam por entradas, pratos principais e sobremesas, sempre respeitando a proibição de produtos fermentados.

Entre os clássicos da culinária judaica, os clientes encontrarão o Gelfite Fish, delicado bolinho de peixe cozido em caldo de peixe; o Kneidlach de matzá, bolinhas feitas de matzá que devem ser servidas em um caldo; e o Varenikes matzá com cebolas douradas, massa fresca preparada com farinha de matzá, recheada de purê de batata e cebola.

Já como principais, o frango inteiro assado com cebola roxa e batatas e a carne de panela ao molho ferrugem ganham destaque.

As encomendas podem ser feitas por e-mail ou pessoalmente até o dia. O cardápio completo está disponível no site do local.

Casa Santa Luzia: Alameda Lorena, 1471 – São Paulo/Tel.: (11) 3897-5023/Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 7h30 às 20h30.


Tchocolath_Petisqueira_GustavoDermendjian
Petisqueira com Moedas Hai de chocolate ao leite e damascos banhados ao chocolate é sugestão de presente da Tchocolath para o Pessach • Gustavo Dermendjian

Se você está em busca de lembrancinhas para presentear seus amigos e familiares no Pessach, a Tchocolath preparou um catálogo com delícias de chocolate e frutas para celebrar a data.

Entre as sugestões, o cliente encontrará unidades da Moeda Hai e Hamsá em chocolate branco e preto que trazem uma simbologia especial para a ocasião, relembrando a libertação do povo judeu e a fé judaica – elas podem ser encontradas de forma individuais ou em formatos para presentes.

O destaque fica para o prato em cerâmica que, além de trazer uma moeda hai com detalhes em chocolate branco, tem também damascos banhados com chocolate ao leite – opção para presentear e também para servir como sobremesa em um dos jantares comemorativos.

Tchocolath: Rua Antônio Afonso, 19 – Vila Nova Conceição, São Paulo/Tel.: (11) 97652-3081/Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 8h às 19h; domingo, das 9h às 18h

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