Carnaval em casa também pode ser educativo: especialistas dão dicas para entreter as crianças com saúde e desenvolvimento

Longe dos blocos e da folia, o feriado pode ser uma oportunidade para fortalecer vínculos, estimular habilidades cognitivas e cuidar da saúde emocional das crianças

Por JúLIA BOZZETTO
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Enquanto muitos adultos aproveitam o Carnaval nas ruas, milhares de famílias optam por viver o feriado em casa com as crianças, seja por escolha, rotina ou necessidade. Para especialistas em desenvolvimento infantil, esse período pode ir muito além de “passar o tempo”: ele pode se transformar em uma oportunidade valiosa de estímulo cognitivo, emocional e social.

Segundo a neuropsicopedagoga e especialista em comportamento infantil Silvia Kelly Bosi, o segredo está em oferecer experiências simples, mas intencionais. “Brincadeiras livres, jogos simbólicos, música, dança e até pequenas atividades domésticas adaptadas à idade estimulam funções importantes como atenção, memória, linguagem e autorregulação emocional”, explica.

Atividades como fantasias feitas em casa, contação de histórias, desenho, pintura e jogos de imitação ajudam a criança a elaborar emoções e exercitar a criatividade. Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, também é essencial respeitar os limites infantis durante o feriado. “Carnaval não precisa ser sinônimo de excesso. Crianças precisam de previsibilidade, rotina mínima e descanso para manter o equilíbrio emocional, especialmente as mais sensíveis ou com desafios no desenvolvimento”, destaca.

A linguagem e a comunicação também merecem atenção especial nesse período. A fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer lembra que momentos lúdicos são ideais para estimular a fala e a escuta. “Cantar músicas, brincar de rimas, conversar sobre fantasias ou criar histórias juntos são formas naturais e prazerosas de fortalecer a comunicação e ampliar o vocabulário”, afirma.

Para mães de crianças com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras, o feriado pode trazer desafios adicionais. Natália Lopes, fundadora do projeto Voz das Mães, ressalta a importância do acolhimento e da escuta. “Nem toda criança consegue lidar com barulho, multidões ou mudanças bruscas de rotina. Respeitar isso não é privar, é cuidar. Carnaval em casa também pode ser leve, afetivo e cheio de significado”, pontua.

As especialistas reforçam que não é preciso investir em atividades complexas ou tecnológicas. O mais importante é a presença, o vínculo e o olhar atento às necessidades individuais da criança. Com criatividade e sensibilidade, o Carnaval pode ser vivido de forma saudável, mesmo longe da folia tradicional.


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