O risco invisível dos eventos temporários: Por que redes provisórias se tornaram o novo alvo de hackers

Relatórios de 2026 apontam crescimento alarmante de ataques em congressos e feiras corporativas; pressa na montagem e multiplicidade de fornecedores criam o cenário ideal para o sequestro de dados e interrupção de operações

Por ANDREIA SOUZA
6 Min

O risco invisível dos eventos temporários: Por que redes provisórias se tornaram o novo alvo de hackers
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No mundo corporativo de 2026, os eventos presenciais consolidaram-se como os principais motores de networking e fechamento de grandes negócios. No entanto, por trás do brilho dos estandes e da sofisticação dos auditórios, esconde-se uma vulnerabilidade crítica que tem tirado o sono de diretores de segurança da informação (CISOs): a infraestrutura digital temporária. De acordo com o Global Cyber Risk Report 2026, os ataques direcionados a ambientes provisórios, como congressos médicos, feiras industriais e fóruns de investimento, cresceram 85% no último ano, tornando esses espaços o "elo mais fraco" da segurança digital corporativa.

O problema reside na natureza intrínseca dos eventos: redes que precisam ser montadas, operadas e desmontadas em poucos dias. Diferente de uma sede corporativa, onde a segurança é perene e auditada continuamente, os eventos temporários costumam ser ambientes de integração improvisada, onde múltiplos fornecedores conectam dispositivos diversos em uma mesma infraestrutura, sob imensa pressão de tempo.

A vulnerabilidade dos eventos temporários não é fruto de uma única falha, mas de uma combinação de fatores que especialistas chamam de "superfície de ataque ampliada". Em um congresso internacional, centenas de dispositivos IoT (Internet das Coisas), como totens de autoatendimento, sistemas de som, painéis de LED e máquinas de café conectadas, compartilham a rede com notebooks que carregam segredos industriais e dados sensíveis de executivos de alto escalão.

Para José de Souza Junior, Diretor Jurídico  do Grupo RG Eventos, a segurança em ambientes efêmeros exige uma mentalidade distinta da TI tradicional. "Em um evento, você não tem meses para configurar um firewall. Você tem horas. Se a integração entre os fornecedores não é coordenada por uma inteligência centralizada, cada novo dispositivo conectado é uma potencial porta de entrada para um Ransomware. O criminoso sabe que, no caos da montagem, a segurança costuma ser sacrificada em nome do funcionamento imediato", alerta Junior.

Embora muitos incidentes em eventos não cheguem às manchetes por questões de confidencialidade, os prejuízos são sistêmicos. Em 2026, o "sequestro de disponibilidade" tornou-se comum: hackers paralisam o sistema de credenciamento ou a transmissão de palestras de um fórum de investimentos, exigindo resgates imediatos para não interromper a agenda.

Dados da Cybersecurity & Infrastructure Security Agency (CISA) indicam que 60% dos ataques em redes temporárias utilizam vulnerabilidades em dispositivos de terceiros. "Muitas vezes, a empresa organizadora investe em segurança, mas o fornecedor do painel de LED traz um roteador desatualizado que contamina toda a rede. É por isso que o monitoramento em tempo real não é um diferencial, é um requisito básico de sobrevivência", explica o Diretor Jurídico do Grupo RG Eventos.

Um dos maiores obstáculos enfrentados pela cibersegurança em eventos é a percepção de que ela seria um "custo acessório". No entanto, José de Souza Junior defende que a cibersegurança é, na verdade, estrutura. Em um cenário onde um vazamento de dados de um congresso médico pode resultar em multas pesadas pela LGPD e processos criminais, o investimento em proteção digital torna-se uma apólice de seguro para a marca.

A abordagem do Grupo RG foca na criação de uma "bolha de segurança" que envolve todo o ecossistema do evento. "Trabalhamos com o conceito de segmentação de rede. O Wi-Fi do público jamais pode 'enxergar' a rede onde trafegam os dados da organização ou os sistemas críticos de palco. Se houver uma invasão em um ponto, ela precisa ser isolada ali", detalha José de Souza Junior.

Diferente de um escritório, onde um ataque pode ser mitigado ao longo de dias, em um evento, cada minuto de queda representa milhões em prejuízo e danos irreparáveis à imagem. Por isso, a presença de um Centro de Inteligência Cibernética (CIC) no local tornou-se indispensável para eventos de grande porte em 2026.

"O monitoramento precisa ser ativo e humano. Nossos algoritmos detectam o comportamento anômalo, mas a decisão estratégica de isolar um setor ou bloquear uma credencial suspeita precisa ser rápida e precisa. Em eventos temporários, a segurança digital deve ter a mesma agilidade da equipe de produção", afirma o Diretor Jurídico do Grupo RG Eventos.

À medida que os eventos híbridos e as experiências digitais imersivas se tornam o padrão, a infraestrutura temporária deixa de ser um detalhe técnico para se tornar o alicerce da confiança entre marcas e seus clientes. Para empresas que buscam liderança, a mensagem é clara: a segurança do evento é a segurança da própria corporação.

Como conclui o fundador do Grupo RG: "Não existe mais 'off-line' em eventos. Tudo é digital, tudo é conectado e, portanto, tudo é vulnerável. O segredo da tranquilidade de um organizador está em entender que a cibersegurança não começa quando o evento abre as portas, mas sim no primeiro esboço da rede, meses antes da montagem".


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Andreia Souza Pereira
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