Copa inspira futebol de fim de semana, mas falta de aquecimento aumenta risco de lesões
Especialista da UniSociesc alerta para cuidados que ajudam a evitar problemas musculares e articulares nos jogos entre amigos
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Com a proximidade da Copa do Mundo de 2026, muitos brasileiros voltam a se animar para jogar futebol com amigos. Mas o entusiasmo de entrar em campo sem o devido preparo pode transformar a diversão em dor. Lesões musculares, entorses e problemas nos joelhos estão entre os incidentes mais comuns nas tradicionais peladas de fim de semana, especialmente entre pessoas sedentárias ou que passaram muito tempo sem praticar atividades físicas.
Segundo o professor do curso de Fisioterapia da UniSociesc, Rafael Schimith da Silveira, o aquecimento é uma etapa fundamental para preparar o organismo para os esforços exigidos durante uma partida.
"Quando a pessoa começa a jogar sem aquecimento, músculos, tendões, articulações e o sistema cardiovascular são submetidos a demandas elevadas sem a preparação fisiológica necessária. Isso aumenta significativamente o risco de lesões", explica.
O especialista destaca que o aquecimento promove o aumento gradual da temperatura muscular, melhora a circulação sanguínea, favorece a condução nervosa e prepara o corpo para movimentos explosivos, como arrancadas, mudanças bruscas de direção e saltos.
Aquecimento e alongamento não são a mesma coisaUma dúvida comum entre os praticantes de futebol recreativo é a diferença entre aquecimento e alongamento. Embora ambos sejam importantes, eles têm funções distintas. "O aquecimento tem como objetivo preparar o organismo para o esforço iminente, enquanto o alongamento atua na extensibilidade dos músculos e tendões", explica Rafael.
De acordo com o fisioterapeuta, as evidências científicas mais recentes indicam que, antes da atividade física, a prioridade deve ser o aquecimento dinâmico, com movimentos ativos e progressivos. Alongamentos estáticos prolongados imediatamente antes do jogo podem até reduzir temporariamente a capacidade de produzir força.
Após a partida, alongamentos leves e recuperação ativa podem contribuir para a sensação de bem-estar e manutenção da mobilidade.
O que fazer antes de entrar em campo?Entre os exercícios mais recomendados para preparar músculos e articulações estão:
- caminhada evoluindo para trote leve;
- deslocamentos laterais;
- elevação alternada dos joelhos;
- corridas com aceleração progressiva;
- exercícios de mobilidade para quadris e tornozelos;
- egachamentos e avanços;
- exercícios de equilíbrio;
- saltos leves com controle da aterrissagem;
- mudanças de direção em baixa intensidade.
Segundo o professor, programas inspirados no protocolo FIFA 11+, amplamente utilizado na prevenção de lesões, mostram que sessões de preparação entre 10 e 20 minutos já são capazes de reduzir significativamente o risco de problemas físicos durante a prática esportiva.
As lesões mais comuns nas peladasEntre os praticantes amadores, os problemas mais frequentes incluem entorses de tornozelo, distensões nos músculos posteriores da coxa, lesões na panturrilha, dores nos joelhos e tendinopatias, especialmente nos tendões patelar e de Aquiles.
Rafael explica que o aquecimento adequado melhora o controle neuromuscular e a coordenação dos movimentos, reduzindo situações que favorecem traumas durante o jogo.
"O alongamento, isoladamente, não deve ser visto como a principal estratégia de prevenção. Os melhores resultados surgem da combinação entre mobilidade, fortalecimento muscular e controle motor", afirma.
Atenção especial para quem está sedentárioO clima de Copa costuma estimular muitas pessoas a retomarem a prática esportiva após meses ou até anos de sedentarismo. Nesses casos, os cuidados devem ser ainda maiores.
A recomendação do especialista é iniciar o retorno com atividades leves, como caminhadas e bicicleta, investir no fortalecimento gradual dos membros inferiores e respeitar a progressão dos treinos.
"O futebol recreativo não deve ser encarado como um teste imediato da condição física. O objetivo é promover saúde, convívio social e qualidade de vida, preservando a capacidade de continuar praticando atividade física por muitos anos", conclui.
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