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Ferramentas de inteligência artificial vêm transformando a forma como empresas operam, atendem clientes e organizam processos, ao mesmo tempo que cada vez mais pessoas recorrem à tecnologia para interpretar sintomas, buscar orientação jurídica, avaliar investimentos, tomar decisões e até mesmo se aconselharem emocionalmente, o que antes dependiam de profissionais especializados. O fenômeno ocorre em duas direções. Enquanto organizações automatizam atividades e reduzem a necessidade de determinadas funções operacionais, consumidores passam a confiar na inteligência artificial para responder dúvidas e orientar escolhas do dia a dia. Pesquisa realizada pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha revelou que 93% dos brasileiros já utilizam recursos de inteligência artificial. Apesar da popularização, apenas 54% afirmam compreender como a tecnologia funciona, enquanto 75% reconhecem sua presença crescente na rotina. Para Leonardo Ribeiro Dalben, desenvolvedor de software especialista em inteligência artificial (IA), o avanço da tecnologia exige uma discussão que vai além da produtividade. “Nos últimos anos, as empresas passaram a usar IA para automatizar tarefas repetitivas e aumentar eficiência. O que chama atenção agora é que muitas pessoas começaram a usar a mesma tecnologia para substituir orientações que tradicionalmente vinham de profissionais especializados”, afirma. A prática se tornou comum em consultas sobre saúde, finanças pessoais, investimentos e questões jurídicas. Embora a tecnologia consiga reunir informações rapidamente, especialistas alertam que respostas geradas por algoritmos não substituem análise técnica, experiência profissional ou responsabilidade sobre uma decisão. “Uma ferramenta pode organizar dados e sugerir caminhos. O que ela não faz é assumir as consequências de uma escolha. Existe uma diferença importante entre usar a IA como apoio e transformá-la em autoridade”, diz Leonardo. Na área da saúde, o tema desperta atenção especial. Dados da TIC Saúde mostram que 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros já utilizam inteligência artificial em alguma etapa dos processos internos. A adoção ocorre principalmente para apoiar diagnósticos, otimizar fluxos e auxiliar profissionais, não para substituir o atendimento humano. “O papel da tecnologia é ampliar a capacidade de análise dos especialistas. Quando ela passa a ocupar o lugar do profissional, existe o risco de simplificar situações que exigem avaliação individualizada”, afirma. Dentro das empresas, a transformação também avança. Ferramentas capazes de responder clientes, produzir documentos, organizar relatórios e executar tarefas administrativas já reduziram a necessidade de algumas atividades operacionais. Em contrapartida, cresce a demanda por profissionais preparados para supervisionar processos automatizados, validar informações e tomar decisões estratégicas. Segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, a inteligência artificial e a automação continuarão remodelando o mercado de trabalho nos próximos anos, eliminando determinadas funções e criando novas exigências de qualificação. Para Leonardo, as organizações que obtêm melhores resultados não são necessariamente as que substituem mais pessoas, mas aquelas que conseguem combinar tecnologia com conhecimento humano. “A automação elimina tarefas. Competência continua sendo uma característica das pessoas. Julgamento, senso crítico, criatividade e responsabilidade permanecem sendo fatores decisivos em qualquer atividade”. Para ele, a discussão sobre inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica. “A grande questão não é se a IA consegue substituir alguém. A pergunta que empresas e consumidores precisam fazer é onde ela agrega valor e onde a participação humana continua indispensável”. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
KAROLINA CHRISTINA ROMAGNOLI
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