O perigo da automedicação no frio: abuso de anti-inflamatórios para dores articulares dispara casos de lesões estomacais
A queda nas temperaturas eleva queixas de dores no corpo e o uso indiscriminado de remédios; especialistas explicam como a endoscopia digital ajuda a identificar precocemente úlceras e sangramentos causados pelo excesso de medicação.
Lucas Almeida — Gestor | Sócio do Grupo Baronesa
Quando o frio aperta, a reação quase automática de muita gente é abrir a gaveta de remédios em busca de um anti-inflamatório para aliviar aquela dor incômoda nos joelhos ou nas costas. O problema é que esse hábito, aparentemente inocente, esconde um perigo real para o sistema digestivo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35% dos medicamentos consumidos no Brasil são fruto da automedicação, um comportamento que ganha força no inverno e tem sobrecarregado os consultórios com pacientes sofrendo de lesões estomacais severas.
O uso frequente e sem orientação dessas pílulas para conter as dores articulares é um dos principais gatilhos para gastrites, úlceras e até hemorragias. Lucas Almeida, gestor e sócio do Grupo Baronesa, conta que o perfil de quem chega à clínica nessa época do ano acende um alerta importante. "Acompanhamos de perto um aumento bem expressivo nos atendimentos gástricos de urgência assim que as temperaturas caem. As pessoas querem resolver o desconforto muscular rápido, tomam o comprimido por conta própria e esquecem que o estômago vai pagar a conta", explica o executivo.
O que acontece na prática é que esses remédios bloqueiam a dor, mas também barram a produção da camada que protege o estômago do seu próprio ácido. Sem essa barreira, o órgão fica totalmente exposto. O gestor da rede de saúde lembra que a falta de informação ainda é o maior obstáculo. "É muito comum vermos o paciente surpreso no consultório. Quase ninguém associa aquela queimação ou o enjoo persistente ao comprimido que tomou dias atrás para a dor nas articulações. É um ciclo perigoso que precisamos quebrar", alerta Almeida.
Para pegar o problema logo no início e evitar que uma inflamação vire algo mais grave, a tecnologia médica virou uma grande aliada através da endoscopia digital de alta definição. Diferente dos exames do passado, essa tecnologia permite enxergar a mucosa gástrica com uma nitidez impressionante, identificando machucados minúsculos e pontos de risco antes mesmo que eles comecem a sangrar.
Na visão do sócio do grupo, a precisão do exame muda completamente o rumo do tratamento e traz tranquilidade para quem exagerou nos remédios. "A endoscopia hoje faz um papel preventivo fundamental. Não precisamos esperar o paciente ter uma complicação séria para agir. Identificar a lesão logo no comecinho nos dá a chance de tratar o estômago a tempo e orientar essa pessoa a se cuidar de um jeito seguro", pontua.
Com a previsão de mais dias frios pela frente, o recado que fica é o de não normalizar a automedicação. Se o incômodo no corpo aparecer com o inverno, vale muito mais a pena buscar a ajuda de um médico para tratar a dor do jeito certo, protegendo o estômago e garantindo que o alívio não vire uma dor de cabeça ainda maior depois.
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Fonte: Lucas Almeida — Gestor | Sócio do Grupo Baronesa
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