Nem CLT, nem PJ: existe um modelo de trabalho ideal para cada perfil?

Autora do livro Relações de Trabalho Modernas defende que a escolha do regime de contratação deve considerar objetivos profissionais, comportamento e qualidade de vida, e não apenas remuneração.

Por Bendita Letra
5 Min

Nem CLT, nem PJ: existe um modelo de trabalho ideal para cada perfil?
Dra. Marina Aguayo
 

Carteira assinada, contrato como pessoa jurídica, trabalho autônomo ou concurso público. Com a transformação das relações de trabalho nos últimos anos, os profissionais passaram a ter mais opções para construir a própria carreira. Ao mesmo tempo, aumentaram as dúvidas sobre qual modelo oferece mais vantagens. Embora a remuneração costume ser o principal critério nessa decisão, especialistas alertam que fatores como perfil comportamental, momento de vida e objetivos profissionais também precisam ser considerados para evitar frustrações futuras.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registra um crescimento consistente das formas de trabalho mais flexíveis, com aumento do número de trabalhadores por conta própria e profissionais que atuam em diferentes formatos de contratação. Esse cenário tem levado empresas e trabalhadores a repensarem modelos tradicionais de carreira e a buscarem relações de trabalho mais compatíveis com suas expectativas.

Para a advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira, Dra. Marina Aguayo, autora do livro Relações de Trabalho Modernas e as Fronteiras da Legalidade e sócia do escritório Aguayo Simão – Advocacia e Consultoria, não existe um regime de contratação ideal para todas as pessoas. "O melhor modelo é aquele que faz sentido para o perfil do profissional. Há quem valorize a estabilidade e a previsibilidade da carteira assinada, enquanto outras pessoas se sentem realizadas com a autonomia e a flexibilidade de atuar como pessoa jurídica ou empreendedoras", explica.

Segundo a especialista, um erro frequente é tomar decisões baseadas exclusivamente na remuneração. Embora propostas como pessoa jurídica possam apresentar ganhos financeiros maiores, elas também exigem organização, planejamento financeiro e disposição para lidar com riscos que não fazem parte da rotina de um empregado contratado pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho.

"A escolha precisa considerar muito mais do que o salário. É necessário avaliar questões como segurança financeira, liberdade para organizar a própria rotina, perfil comportamental, objetivos de longo prazo e até o momento de vida que aquele profissional está vivendo. O que representa sucesso para uma pessoa pode não fazer sentido para outra", afirma Marina.

A advogada ressalta que o próprio mercado tem valorizado trajetórias profissionais mais flexíveis, mas isso não significa que todos os trabalhadores estejam preparados para esse formato. Pessoas que preferem ambientes estruturados, benefícios consolidados e maior previsibilidade podem encontrar mais satisfação em vínculos tradicionais, enquanto perfis mais independentes tendem a se adaptar melhor à autonomia das novas formas de contratação.

Além das características individuais, a decisão também deve respeitar os limites legais de cada modalidade. A especialista lembra que a contratação como pessoa jurídica, por exemplo, não pode ser utilizada para mascarar uma relação típica de emprego quando estão presentes requisitos previstos na legislação trabalhista, como subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade.

"Cada modalidade possui direitos, deveres e responsabilidades próprias. Quando a escolha é feita apenas para reduzir custos ou aumentar a remuneração imediata, sem observar a realidade da prestação dos serviços, aumentam os riscos de conflitos trabalhistas tanto para o profissional quanto para a empresa", destaca.

Para Marina Aguayo, compreender o próprio perfil é um dos primeiros passos para construir uma carreira mais sustentável e satisfatória. "O trabalho ocupa uma parcela importante da vida das pessoas. Escolher o regime de contratação apenas pelo retorno financeiro pode gerar insatisfação no futuro. Quando a decisão considera também propósito, qualidade de vida e características pessoais, aumentam as chances de construir uma trajetória profissional mais equilibrada e duradoura", conclui.

Fonte: Dra. Marina Aguayo – Advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho, Mediação e Carreira, autora do livro Relações de Trabalho Modernas e as Fronteiras da Legalidade e sócia do escritório Aguayo Simão – Advocacia e Consultoria.


 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
[email protected]


Notícias Relacionadas »