Sede disfarçada de fome: por que a mudança de clima em junho faz você comer mais - e o truque para enganar o cérebro

No tempo frio e seco, a queda na ingestão de água faz o organismo confundir desidratação com necessidade de calorias; o médico nutrólogo Dr. Lailson Ambrósio explica o mecanismo da fome climática e como blindar a dieta.

Por Bendita Letra
4 Min

Sede disfarçada de fome: por que a mudança de clima em junho faz você comer mais - e o truque para enganar o
Dr Lailson Ambrósio - Médico Nutrólogo
 

A chegada do inverno traz uma armadilha silenciosa para quem tenta manter o equilíbrio na balança. Conforme o frio aperta e o ar fica mais seco em junho, um fenômeno biológico curioso começa a ditar o ritmo do nosso apetite, passamos a comer mais simplesmente porque estamos esquecendo de beber água. Essa confusão acontece porque os sinais de desidratação e de falta de energia são processados na mesma região do cérebro. O resultado é que o corpo envia um alerta de fome quando, na verdade, o que ele mais precisa é de um copo d’água.

O mecanismo por trás desse engano envolve o hipotálamo, a central de comando que regula as nossas necessidades vitais. Quando a temperatura ambiente cai, o organismo gasta mais energia para se manter aquecido, o que naturalmente eleva a busca por pratos mais calóricos. O problema central é que a percepção de sede diminui drasticamente no frio. Sem o suor evidente do verão, deixamos de repor os líquidos e a nossa mente, operando em modo de preservação, interpreta o estresse da falta de água como um pedido urgente por combustível.

De acordo com o Dr. Lailson Ambrósio, médico nutrólogo, o corpo humano prioriza a sobrevivência imediata em detrimento da precisão dos estímulos. "O organismo interpreta a falta de água como uma ameaça ao seu funcionamento térmico e metabólico. Como a digestão de carboidratos e gorduras gera calor rapidamente, o cérebro aciona o gatilho da fome para tentar resolver dois problemas de uma vez só: obter energia e, indiretamente, reter o mínimo de líquido que vem dos alimentos sólidos", esclarece o especialista. Na prática, é isso que causa aquela vontade incontrolável de assaltar a geladeira no fim da tarde.

Para romper esse ciclo e proteger a rotina alimentar, a estratégia mais eficiente não exige dietas restritivas, mas sim um ajuste na forma como respondemos aos impulsos. O principal truque consiste em aplicar uma pausa tática de quinze minutos antes de ceder ao desejo de beliscar. Ao sentir aquela necessidade súbita de comer fora de hora, a recomendação é ingerir dois copos de água morna ou uma xícara de chá sem açúcar e aguardar. Se o desconforto sumir após esse intervalo, era apenas a desidratação se disfarçando.

Além de reeducar a percepção neurológica, a temperatura dos líquidos que ingerimos desempenha um papel fundamental no conforto do estômago durante os meses frios. Bebidas geladas costumam ser rejeitadas pelo corpo quando o clima está rigoroso, o que acaba afastando o hábito de beber água. Apostar em infusões de ervas quentes ou água aromatizada em temperatura ambiente conforta o organismo, oferecendo a sensação de saciedade e calor sem adicionar calorias vazias ao longo do dia.

Manter a hidratação em níveis ideais no inverno estabiliza o metabolismo e evita que o corpo trabalhe em ritmo de escassez. Ao garantir o aporte hídrico correto, o cérebro deixa de emitir os alarmes falsos que sabotam o planejamento nutricional. Compreender que a urgência por comida muitas vezes esconde uma necessidade básica de água é o passo definitivo para atravessar a estação fria com mais saúde, disposição e controle sobre o próprio prato.

 

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Fonte: Dr Lailson Ambrósio - Médico Nutrólogo


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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